REFLEXÃO DO DIA — Radar PVH · 07/08/2026 Quatro sinais de que o recomeço já começou ========================================== A gente imagina que recomeçar tem hora marcada. Primeiro de janeiro, segunda-feira, começo do mês. Mas o recomeço é mais teimoso que isso: ele costuma já estar em movimento quando a gente ainda acha que está parado. Repara nesses quatro sinais. Primeiro: a curiosidade volta. Você estava andando no piloto automático, sem reparar em nada, e de repente uma vitrine, uma placa de curso, uma conversa alheia prende sua atenção. É a cabeça esticando o pescoço de novo. Antes de qualquer decisão, o interesse retorna sozinho, como cachorro que fareja a porta antes de você pegar a coleira. Segundo: você para de terminar as frases com "mas". Aquele "eu até queria, mas..." começa a soar cansado até para você mesmo. Um dia a frase fica pela metade, o "mas" não vem, e no lugar do freio aparece um silêncio que parece pergunta. Esse silêncio é espaço. Espaço é onde coisa nova cabe. Terceiro: o que era enorme vira do tamanho de um passo. Aquilo que você via como uma montanha impossível, de repente se divide em pedaços que dá pra segurar na mão. Não é que a montanha encolheu. É que você começou a enxergar a trilha, e trilha se faz pisando, não olhando de longe. Quarto: você aguenta ser iniciante de novo. Recomeçar dói um pouco no orgulho, porque volta a errar feito quem nunca fez. A mão treme na primeira vez, a voz falha, o passo é torto. Mas no dia em que você para de ter vergonha de ser desajeitado, o recomeço já não é promessa — é prática. Toda pessoa que hoje faz algo com facilidade um dia foi a mais atrapalhada da sala. Esses quatro sinais quase nunca chegam juntos. Vêm espalhados, disfarçados de coisa boba: uma vontade repentina de arrumar a gaveta, uma música antiga que voltou a tocar por dentro, uma ligação que você fez depois de meses. Parecem nada. São o começo se instalando por baixo do pano. Em Porto Velho, quem já viu o rio Madeira baixar depois da cheia sabe: a terra que ficou coberta de água por semanas não espera anúncio para voltar a verdejar. Assim que o barro seca no ponto certo, o verde vem — sem pedir licença, sem calendário. O chão só estava esperando a hora. Talvez o seu recomeço não esteja no futuro, esperando você ficar pronto. Talvez ele já tenha brotado numa dessas quatro brechas e esteja só aguardando você reparar. Olha de novo. Pode ser que a primeira página já esteja escrita. “O recomeço raramente avisa. Quando a curiosidade volta, ele já começou.” — radarpvh.com.br/reflexao-do-dia Conteúdo de reflexão e bem-estar.