REFLEXÃO DO DIA — Radar PVH · 10/08/2026 Como se atravessa um rio quando não se sabe nadar? ================================================== Como se atravessa um rio quando não se sabe nadar? A primeira resposta que vem na cabeça é a mais assustadora: mergulhar de uma vez, encarar a água toda de uma só braçada. É assim que a gente costuma imaginar a superação. Um pulo grande, corajoso, definitivo. Como se coragem fosse fôlego infinito. Mas quem já ficou na margem de um problema grande sabe que não funciona bem assim. A segunda resposta é mais honesta. Você olha a correnteza e procura uma pedra. Só uma, a mais perto. Pisa nela, testa se aguenta, respira. Depois procura a próxima. O rio continua imenso, a outra margem continua longe, mas o seu problema, naquele instante, encolheu para o tamanho de um passo. Superar quase nunca é vencer tudo de vez. É diminuir o tamanho da travessia até caber no que você consegue fazer agora. Penso numa pessoa aprendendo a ler já adulta, dessas que passam a vida inteira decorando o caminho pelas cores das placas porque não conseguem juntar as letras. Ninguém aprende o alfabeto todo numa tarde. Aprende uma sílaba. Depois um nome, o próprio nome, escrito com a mão tremendo. Um dia lê o letreiro do ônibus sozinho e sente uma coisa quente subir no peito. Aquilo é uma pedra. E veio depois de muitas. A gente admira o resultado, mas o resultado é só a última foto de uma sequência longa de tentativas sem plateia. Então o que sustenta a travessia, se não é o salto? É a teimosia mansa de não voltar para a margem. É continuar molhado, cansado, com medo, e mesmo assim esticar o pé para a próxima pedra. Superação não pede que você deixe de ter medo. Pede só que você não deixe o medo escolher onde você pisa. E tem uma coisa que a correnteza ensina: às vezes a pedra que parecia firme balança. Você escorrega, se molha inteiro, engole água. Isso não significa que você fracassou na travessia. Significa que você está no meio dela, que é onde todo mundo se molha. Ninguém chega ao outro lado seco. Dá para atravessar sem saber nadar, sim. Não com um golpe de bravura, mas com atenção, paciência e a disposição de recomeçar do lugar onde caiu, e não do começo. Se hoje, nesta segunda-feira, você está olhando para um rio que parece grande demais, não meça a distância até a outra margem. Ela vai continuar assustando você. Meça a distância até a próxima pedra. Só essa. É o tamanho certo da coragem que se pede de qualquer um. “Não meça a distância até a outra margem. Meça até a próxima pedra. É esse o tamanho da coragem.” — radarpvh.com.br/reflexao-do-dia Conteúdo de reflexão e bem-estar.