Estado de Rondônia e empreiteira Terra Forte entram na 'lista suja' do trabalho escravo
O Ministério do Trabalho e Emprego incluiu o Estado de Rondônia e a empreiteira Terra Forte entre os 82 novos nomes da 'lista suja'. O caso é de dois venezuelanos resgatados em obra de escola indígena em Guajará-Mirim.

Rondônia e a empreiteira Terra Forte entram na 'lista suja' do trabalho escravo por obra de escola indígena em Guajará-Mirim.
O Estado de Rondônia e a empreiteira Terra Forte, que tem contratos de obras públicas com o governo estadual, estão entre os 82 novos nomes da 'lista suja' do trabalho escravo, atualizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Com a atualização, o cadastro chega a 508 empregadores. As informações são de reportagem de Leonardo Sakamoto, publicada no UOL.
A inclusão decorre de uma fiscalização feita em setembro de 2025 na reforma da Escola Estadual Indígena de Ensino Fundamental 5 de Julho, na Terra Indígena Rio Guaporé, em Guajará-Mirim. Uma força-tarefa com auditores-fiscais do MTE, procuradores do Ministério Público do Trabalho e do Ministério Público Federal e agentes da Polícia Federal resgatou dois trabalhadores venezuelanos em condições análogas à escravidão. Segundo a fiscalização, eles tinham salários atrasados, sem alimentação garantida, sem banheiro adequado, e dormiam em colchões sobre mesas escolares. Os agentes chegaram ao local de helicóptero, após denúncia de alunos e professores da Universidade Federal de Rondônia.
A reforma fazia parte de um contrato de R$ 21 milhões firmado pela Secretaria de Estado da Educação com a Terra Forte. Segundo o MPT, R$ 504 mil seriam destinados à escola. A obra era custeada com recursos públicos. A reportagem aponta ainda que a gestão do governador Marcos Rocha (União Brasil) desarticulou a comissão estadual de combate ao trabalho escravo.
A lista reúne empregadores responsabilizados após defesa administrativa em duas instâncias. Eles ficam nela por dois anos, mas podem sair antes ao assinar acordo de regularização com o MTE. A Repórter Brasil procurou o governo de Rondônia e a Terra Forte e aguarda posicionamento. Na época do flagrante, os dois não se manifestaram. A lista também traz empregadores de outros estados, como produtores de café de São Paulo e Minas Gerais, mas esses casos não envolvem Rondônia.
A inclusão expõe publicamente uma obra paga com dinheiro público em Rondônia, ligada a um contrato de R$ 21 milhões da área da Educação. A lista não gera punição por si só, mas bancos e grandes compradores a usam para avaliar risco, restringir crédito e decidir sobre contratos. Ainda não há posicionamento do governo estadual nem da empresa sobre os efeitos práticos para os contratos em andamento.
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