Reportagem revela vigilância de PCC e CV na fronteira de Rondônia com a Bolívia
Equipe de reportagem foi monitorada por olheiros de facções durante trabalho em Guajará-Mirim. Autoridades de Rondônia planejam usar lanchas blindadas e cooperação com a Bolívia para combater o crime na fronteira.
Reportagem na fronteira de RO foi monitorada por olheiros do PCC e CV; Estado planeja lanchas blindadas.
Uma reportagem exclusiva mostrou como facções criminosas atuam na fronteira entre Rondônia e a Bolívia. Durante os trabalhos na região de Guajará-Mirim (RO), a equipe de reportagem foi monitorada por olheiros do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV), que trocavam mensagens em aplicativos para alertar sobre a presença de forças de segurança e da imprensa. Segundo o repórter Felipe Garraffa, a equipe retornou em segurança com apoio da Polícia Militar de Rondônia, que informou por sua inteligência que o grupo estava sob vigilância.
Durante fiscalizações na região, as autoridades prenderam um suspeito de integrar uma das facções. De acordo com o tenente Cassiano, da PM de Rondônia, o homem seria oriundo do Rio Grande do Norte e estaria foragido da Justiça há cerca de 11 anos. Ao dar entrada no Hospital Regional de Guajará-Mirim com ferimento por arma de fogo, ele pediu para não ser levado a uma cela com membros do CV, alegando pertencer ao PCC — o que evidencia a rivalidade e a divisão de territórios entre as facções.
A faixa de fronteira tem mais de 1.300 quilômetros de extensão, marcada por rios e vazios demográficos que dificultam a fiscalização e favorecem rotas clandestinas de veículos roubados e entrada de cocaína. Para conter o avanço do tráfico, o secretário de Segurança de Rondônia, coronel Hélio Pachá, afirmou que o Estado tem formalizado parcerias e trocado informações com autoridades bolivianas.
Pachá informou ainda que o Estado está em fase de aquisição de lanchas blindadas, que serão destinadas a municípios estratégicos como Guajará-Mirim e Costa Marques, com o objetivo de reforçar o patrulhamento fluvial e combater crimes transfronteiriços na Amazônia.
A atuação de facções na fronteira afeta diretamente a segurança de Rondônia, ao alimentar rotas de tráfico de drogas e de veículos roubados que abastecem também a capital. O investimento em lanchas blindadas e a cooperação com a Bolívia podem melhorar a fiscalização em uma das áreas mais vulneráveis do Estado.
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