Economistas apontam três desafios de Lula na economia no 4º mandato: contas públicas, baixo crescimento e custo de vida
Após a vitória no segundo turno, Lula enfrenta dívida pública alta, desaceleração do PIB em 2027 e o peso do custo de vida e do endividamento das famílias. A análise é da BBC News Brasil, com economistas ouvidos antes da eleição.
Economistas veem três desafios para Lula: dívida pública alta, PIB fraco em 2027 e custo de vida pesado, com endividamento das famílias.
Reportagem da BBC News Brasil lista três grandes desafios econômicos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no quarto mandato, depois de vencer o segundo turno sobre Flávio Bolsonaro (PL) com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21%. Os economistas ouvidos pela reportagem dizem que nem Lula nem o adversário apresentaram planos claros de ajuste das contas públicas, e que as respostas mais concretas devem vir com a definição da equipe econômica.
O primeiro desafio é o desequilíbrio fiscal. Segundo o Banco Central, a dívida bruta do governo geral chegou a R$ 11,1 trilhões em agosto, o equivalente a 82,9% do PIB, o maior nível desde a pandemia. Para os analistas, as promessas de campanha, como Desenrola 3.0, aumento do Bolsa Família e manutenção da desoneração dos combustíveis, aumentam as despesas ou reduzem a arrecadação. A Warren Investimentos estima impacto de quase R$ 200 bilhões até 2030. Economistas citados, como Felipe Salto (Warren) e Rafaela Vitória (Banco Inter), acreditam que algum ajuste será inevitável, de preferência gradual, para não provocar recessão. Se o mercado perder a confiança, juros futuros e dólar podem subir, o que pressionaria a inflação.
O segundo desafio é o crescimento menor em 2027. No boletim Focus anterior ao segundo turno, a mediana das projeções era de alta de 1,32% do PIB em 2027, e há economistas que apostam em algo próximo de 1%. Os motivos citados são o fim dos estímulos fiscais do ano eleitoral, os juros ainda elevados e uma possível queda da agropecuária. A consultoria 4intelligence projeta retração de 0,7% do agro por causa de um El Niño forte, que também pode pressionar os preços dos alimentos. No programa de governo, Lula aposta em investimento induzido pelo Estado, com o Novo PAC, a Nova Indústria Brasil e linhas de crédito para pequenas empresas.
O terceiro desafio é reverter o mau humor causado pelo custo de vida e pelo endividamento recorde das famílias. Levantamento da 4intelligence mostra que o salário mínimo de setembro (R$ 1.621) comprava 1,76 cesta básica, mais do que em 2022 (1,61), mas menos do que em 2019 (2 cestas), com base na cesta de São Paulo, medida pelo Dieese. O texto original da BBC continua com dados sobre o endividamento das famílias, que não constam do material disponível para esta matéria.
Os efeitos valem para todo o país, inclusive Porto Velho e Rondônia, e não são específicos daqui. Juros altos encarecem crédito e financiamentos. Uma eventual alta do dólar pode pressionar a inflação. A previsão de quebra de safra por causa do El Niño pode pesar no preço dos alimentos. Tudo isso depende das medidas que o governo adotar, ainda não definidas.
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