Inadimplência recorde e bets pressionam orçamento das famílias brasileiras, alerta economista
Economista da FGV afirma que o cenário financeiro das famílias é preocupante, com 81,6% dos lares endividados, juros altos e o avanço das apostas online consumindo o orçamento.

81,6% das famílias têm dívidas e juros altos apertam o orçamento; bets viram novo peso financeiro, alerta economista da FGV.
O cenário da renda familiar no Brasil está "realmente preocupante", segundo o economista e professor da FGV Ricardo Meirelles de Faria, em análise ao programa WW Especial, da CNN Brasil. Ele aponta que o endividamento das famílias saltou ao longo dos últimos anos, passando de 30% para cerca de 50% após crises econômicas e a pandemia.
Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostram que 81,6% das famílias brasileiras têm alguma dívida, considerando cartão de crédito, cheque especial e carnês de lojas. Levantamento do Serasa aponta que mais da metade dos trabalhadores termina o mês sem dinheiro, com maior peso em alimentos e contas básicas. A taxa Selic, em 14% ao ano, deixa o país com o segundo maior juro real do mundo, o que encarece o crédito e dificulta o pagamento das dívidas.
Outro fator citado pelo professor é o avanço das apostas online, as chamadas bets. Segundo o Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, elaborado pelo Comsefaz, os brasileiros gastaram R$ 62,5 bilhões em 2025 com o setor de apostas. "Quando a família já está em uma situação difícil, surge no cenário uma tragédia dessa", afirmou Meirelles.
Os juros altos e a inadimplência recorde afetam também os moradores de Porto Velho e de Rondônia: crédito mais caro no cartão, cheque especial e financiamentos, além de maior dificuldade para quitar contas básicas. O peso das apostas online no orçamento é uma realidade que atinge famílias em todo o país, sem número específico para o estado.
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